domingo, 11 de outubro de 2009

Sensibilidade


Às vezes, viro só coração
e entendo a lágrima,
o aconchego, a alegria.
Fico sentimento cru,
e faço amigos,
faço versos,
faço risos.
Esqueço a dureza
do pensamento certo.
E me torno maleável,
canto em público
e em particular,
rezo ladainhas,
de joelhos no chão,
ou permaneço em pé,
como vestal,
protegendo meu fogo sagrado,
em vigília, em jejum,
na crença irracional.
Acolho as diferenças,
abraço a nudez,
e quero ficar assim,
assim, também nua,
e só coração.
(Dora Vilela)

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