quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Ao Sal ( A Neruda )

Nega-me tua alma-
Esta minha alma mesma
Que me furtas-
E é o degredo irremediável
que, em troca, me concedes.
Nega-me tua chama
Que tremula no delírio dos deuses,
Teu anjo, que ressona no silêncio dos lagos,
Nega-me, nega-me tua espuma
Que regurgita no sonho das aves
(eu sou teu infante pássaro)
E é sem minhas fontes que me deixas,
Sem meu ar extasiado.
Nega-me teu mar, tua tempestade,
O sonho e a fantasia,
E me deixas a seco, ao sal amargo
De cada dia.
Nega-me teus olhos e já triste não me enxergo
Que a felicidade, embora utopia das sombras,
É também certa luz incidente
Que só de teu olhar
meus olhos como benção recebem.
(Fernando Campanella)

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