segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Despedida Cigana

Toma... coloca no pescoço meu diklô...
Leva-o contigo para que a sorte
e a lembrança te acompanhe...
Que Sarah te guie e proteja
E as estradas te sejam boas...
Lachô Drom! (Boa Viagem)
Não... Não digas nada, te peço Rom!
Sabes que não pode haver despedidas
entre nós!
Sabemos que a Roda do destino
tem segredos que nem as cartas
nem as linhas das palmas
podem antes nos mostrar.
Que os caminhos se abrem e se fecham
Até que um dia possamos nos reencontrar...
Haverá um tempo que sentaremos na mesma thiera
Num desses retornos da espiral da vida
Compartilharemos o mesmo teto de estrelas
O riso, as danças loucas, a tenda, o vinho,
o luar...
A mesma sina;
Todos os rios levam ao mar...
Não olhes para trás, Cigano!
Nosso povo nos ensina apenas ao futuro fitar.
Caminha! Ainda que o coração esteja em brasas...
(O meu também está).
Coloca teu belo sorriso no rosto...
Teu brilho único no olhar...
Leva contigo a alegria o encantamento,
o sonho, a paixão, a alma a vibrar!
Seduz, conquista, mostra como se
é a própria alegria e...
Não te esqueças, jamais...
Um tanto de mim levas pra sempre contigo
E tu ficas aqui dentro, eternamente, meu amante e irmão...
Deixa apenas lenços vermelhos,
marcas pelos caminhos,
Para quando eu acaso passe
saiba por onde vai caminhado
o meu coração...
Thie avês thiailô lom, manrô tai sunakai!*
*(Que você seja abençoado com o sal,
com o pão e com o vinho)
(Jacqueline Abecassis)

Profana Via

... Abençoada sou
se, nua,
minha pele é rua
que ofereço
para a procissão
noturna
dos seus dedos...
(Maria Borges)

domingo, 25 de outubro de 2009


"Ayudame a estar solo junto a ti...
Y dime palabras que no salen de tu boca,
Abrazame sin tocarme,
Ayudame a estar solo, acompañado por ti...
Y lavantate de mi cama sin haber estado conmigo,
Porque no necesito estar contigo...
Ya te tengo dentro de mi..."

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Que minha solidão me sirva de companhia,
que eu tenha coragem de me enfrentar,
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
(Clarice Lispector)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Ah! Quando o Sol...


Quando o sol visita minha estreita janela,
deixa réstias de luz espalhadas
sobre a minha cadeira preferida
onde descanso a falta de sono, de sonho.
A esperança sempre me pareceu vestir cetim
enquanto eu,
envolta em panos simples,
vivi estampando cores e formas,
Um dia por vez.
Cuido dos poucos, mas fartos planos,
E asseguro-lhes que as horas tem mãos
que aquecem borboletas até alçarem voos
enigmaticamente perfeitos.
Quantas vezes o que parece não ter rumo
nem prumo, voa...?
(Diana-Dru)

domingo, 11 de outubro de 2009

Sensibilidade


Às vezes, viro só coração
e entendo a lágrima,
o aconchego, a alegria.
Fico sentimento cru,
e faço amigos,
faço versos,
faço risos.
Esqueço a dureza
do pensamento certo.
E me torno maleável,
canto em público
e em particular,
rezo ladainhas,
de joelhos no chão,
ou permaneço em pé,
como vestal,
protegendo meu fogo sagrado,
em vigília, em jejum,
na crença irracional.
Acolho as diferenças,
abraço a nudez,
e quero ficar assim,
assim, também nua,
e só coração.
(Dora Vilela)

sábado, 10 de outubro de 2009

Um Solo de Jazz

Uma noite,
Um vinho tinto,
Um beijo
Um solo de sax
marcando o ritmo...
Uma noite intensa como um jazz
Um amor de improviso
Um toque de música
a pulsar nas veias...
O vinho escorre
pelo céu da boca
e se mistura a um beijo
sob o tapete de estrelas
de uma noite de lua...
Sentimento e sentidos
intensos e densos,
marcantes como música.
Um solo de sax...
transcendendo limites
como um sonho sem volta.
Um toque, um jazz,
sentidos alertas,
e o amor prega peças,
a noite enfeitiça.
O vinho escorre da taça
e tem gosto de beijo...
Um beijo ritmado
como um solo de sax
marcando os sentidos...
(Ana Deva's Garjan)

Vem...

"Segura minha mão, ...
que tenho medo e estou só.
Cansei, ... de fingir coragem, sou frágil.
Segura minha mão.
A noite engole meu riso e
as lágrimas podem correr livres,
É tão mansa a noite, tão amável e companheira.
Vem comigo, ... que estou só, mas vem agora,
No instante em que a noite me permite
confessar meus medos.
Vem antes que o riso volte à minha boca
e ela finja ser o que não sou e a todos engane.
Vem, ... segura minha mão e fita-me nos olhos que,
eu de ti, não fugirei agora.
Mas nada posso prometer, ...
depois que o sol engulir a lua
E eu for novamente aquela que todos veem,
a que tem as mãos vazias das tuas."

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Rumbeira

Danada de febre e
de saber histórias
fui entrando descarada
na tua vida
me metendo no meio
das tuas coisas
achando graça, mostrando as coxas
meio distraída
fui impregnando o ar com meu cheiro
pra te fazer chegar ao desespero
de me agarrar à força no banheiro
em pleno dia
desde então eu tenho essa mania.
(Bruna Lombardi)

Tudo Que Eu Sinto


Que esta paixão que agora eu te proponho
Seja um dos nossos mais loucos descompassos
Confusão no meu destino e nos teus passos
Um sobressalto acelerando esse meu sonho.
Que minha calma seja então o teu martírio
E o meu ventre,o teu abrigo no meu leito
E que meu seio, aprisionado no teu peito
Seja um pássaro sem controle e em delírio.
Que o teu mel se misture ao meu veneno
E da tua boca, o meu nome brote em flor
Desvirginando em ritual rubro e sereno
O som que a noite geme solto ao meu favor.
Que o teu nome seja impresso em minha alma
E que este amor se realize, em plena urgência
Em revoada, em ardência, luz e calma.
Perpetuando-se em poesia, de preferência...
(Retirado do blog Meus Momentos)

Tatuagem

Quero ficar no teu corpo
Feito tatuagem
Que é pra te dar coragem
Pra seguir viagem
Quando a noite vem...
E também pra me perpetuar
Em tua escrava
Que você pega, esfrega
Nega, mas não lava...
Quero brincar no teu corpo
Feito bailarina
Que logo se alucina
Salta e te ilumina
Quando a noite vem...
E nos músculos exaustos
Do teu braço
Repousar frouxa, murcha
Farta, morta de cansaço...
Quero pesar feito cruz
Nas tuas costas
Que te retalha em postas
Mas no fundo gostas
Quando a noite vem...
Quero ser a cicatriz
Risonha e corrosiva
Marcada a frio
Ferro e fogo
Em carne viva...
Corações de mães, arpões
Sereias e serpentes
Que te rabiscam
O corpo todo
Mas não sentes...
(Chico Buarque)

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Seduza-me

Estou obscena
Bocage de você
Meretriz de tuas noites
Dama de teus dias.
Tuas mãos em minhas curvas
Meus pés em tuas linhas
Minhas curvas complexas
Linhas de você.
Deixo-me seduzir
Em tua perfeição
Encostada em ti
Sinto teus lábios em mim.
Tua boca
Deleite de meu prazer
Embriaguez dos meus sentidos
Quero me dar pra você.
Arranca minhas vestes
Enquanto danço em você
É dia... Eu sei
Eles olham... E daí?
(Beth Santana)

Una Milonga


Na melodia
Sem harmonia
Das notas
Que, no meu corpo,
Só você toca:
Um tema,
No improviso
Jazz na rima
E sua estrela
... Brilha
Num blues sustenido
Enquanto eu
Quase soul...
(Sandra Regina de Souza)

Ao Sal ( A Neruda )

Nega-me tua alma-
Esta minha alma mesma
Que me furtas-
E é o degredo irremediável
que, em troca, me concedes.
Nega-me tua chama
Que tremula no delírio dos deuses,
Teu anjo, que ressona no silêncio dos lagos,
Nega-me, nega-me tua espuma
Que regurgita no sonho das aves
(eu sou teu infante pássaro)
E é sem minhas fontes que me deixas,
Sem meu ar extasiado.
Nega-me teu mar, tua tempestade,
O sonho e a fantasia,
E me deixas a seco, ao sal amargo
De cada dia.
Nega-me teus olhos e já triste não me enxergo
Que a felicidade, embora utopia das sombras,
É também certa luz incidente
Que só de teu olhar
meus olhos como benção recebem.
(Fernando Campanella)

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O Amor

Não marcou hora nem lugar
Simplesmente apareceu
Como um mero acaso
Assim tão displicente,
querendo apenas aconchego
Num coração desavisado,
E entrou sem cerimônia...
Passeia em meus pensamentos
Navega em minhas veias
E transpira em meus poros...
Depois me observa com
Olhos de banquete e
Sacia essa fome sem fim...
Vai até as esquinas da razão,
Mas volta e se acomoda
Esperando que o tempo passe
E leve-o consigo.
Ah! Amor, falo de ti sim...
O tempo sempre passa,
mas você não vai passar...
(Izabel Dias)

Amor, Vida, Morte e Urgências

Há dias em que sou
Este imperfeito de mim
Sem fim nem começo
Meio verdade, meio avessa
Meia meio virada
Pé direito calçando o esquerdo
Táctil, sem querer tocar
No entanto quando surges
Com o frêmito das coisas urgentes
Como se o ar perdesse o tino
E urgisse despentear avencas,
A vida é promessa realizada
Ao sabor de um simples verso
Toco-te, num ósculo forte
O amor é em nós imerso
Assim como o é na vida, a morte.
(Jeanete Ruaro)